top of page

A saúde mental da população idosa

  • Foto do escritor: Marketing
    Marketing
  • 12 de mar.
  • 4 min de leitura

Introdução

O envelhecimento populacional é uma realidade crescente no Brasil e no mundo. Com o aumento da expectativa de vida, torna-se fundamental discutir não apenas a saúde física, mas também a saúde mental da população idosa. A saúde mental é parte essencial do bem-estar geral e influencia diretamente a qualidade de vida, a autonomia e a funcionalidade do idoso.

Nesse contexto, compreender os principais fatores que afetam a saúde mental na terceira idade é indispensável para a promoção de um cuidado integral, humanizado e alinhado aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS).


A Saúde Mental: Desafios e a Importância do Cuidado Integral

A saúde mental do idoso pode ser impactada por diversos fatores biológicos, psicológicos, sociais e afetivos. Entre os principais problemas estão a depressão, ansiedade, transtornos cognitivos como demência, Doença de Alzheimer e isolamento social.

A depressão é uma das condições mais prevalentes nessa faixa etária e muitas vezes é subdiagnosticada, pois seus sintomas podem ser confundidos com características do envelhecimento. Tristeza persistente, perda de interesse em atividades e alterações no sono e no apetite são sinais que merecem atenção.

Outro fator relevante é o isolamento social, pois muitos idosos enfrentam a perda de familiares e amigos, aposentadoria, redução do convívio social e, em alguns casos, abandono. A solidão pode contribuir significativamente para o agravamento de transtornos mentais.

Além disso, dificuldades no acesso à informação e aos serviços de saúde também interferem na saúde mental. Muitos idosos apresentam limitações tecnológicas, dificuldades de locomoção e barreiras no acesso aos serviços públicos, o que pode gerar sentimentos de dependência, insegurança e desvalorização.

Dessa forma, é essencial que as equipes de saúde atuem de forma multiprofissional, promovendo acolhimento, escuta ativa e estratégias de prevenção.

A Atenção Primária à Saúde tem papel fundamental nesse processo, por meio de acompanhamento contínuo, grupos de convivência, visitas domiciliares e ações educativas.


Prevenção na saúde mental

A prevenção em saúde mental na população idosa deve ocorrer de forma contínua e integrada, priorizando a promoção do envelhecimento ativo e saudável. Entre as principais estratégias preventivas está o estímulo à convivência social, por meio da participação em grupos comunitários, atividades religiosas e/ou culturais e programas de convivência ofertados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

A prática regular de atividade física também desempenha papel fundamental na prevenção de transtornos mentais, pois contribui para a liberação de hormônios relacionados à felicidade e bem-estar, além de melhorar a autonomia e a autoestima do idoso. Caminhadas, alongamentos e atividades em grupo são exemplos eficazes.

Outro ponto importante é o acompanhamento periódico da saúde, incluindo avaliação multiprofissional, ou seja, de toda a equipe de saúde, como médico, enfermeiro, farmacêutico, dentista, nutricionista, fisioterapeuta, entre diversos outros.

O estímulo às atividades mentais, como leitura, jogos de memória, palavras cruzadas e aprendizado de novas habilidades, também auxilia na preservação das funções cognitivas e pode retardar o avanço de transtornos neurodegenerativos, isto é, condições médicas que levam ao envelhecimento do cérebro. Além disso, a escuta qualificada por parte dos profissionais de saúde e familiares é uma medida preventiva essencial. Identificar precocemente alterações de humor, mudanças comportamentais ou sinais de isolamento permite intervenção oportuna e redução de agravamentos.


Orientações à População

Diante de alterações de humor, mudanças comportamentais ou sinais de isolamento, o idoso ou a família podem estar buscando a Atenção Primária à Saúde (APS) que é a porta de entrada preferencial do sistema. A Unidade Básica de Saúde é o local de acolhimento e realização da primeira abordagem e avaliação do idoso.

Quando necessário, por meio do sistema de regulação, o paciente é encaminhado para atendimento em outros pontos de atenção, como CAPS, encaminhamentos para psicólogo e/ou psiquiatra.

Em casos mais avançados ou onde há uma resistência do idoso em procurar os serviços de saúde, os cuidados são realizados no domicílio do paciente, tanto pelas equipes da APS, como pelas equipes multiprofissionais dos Serviços de Atenção Domiciliar (SAD).

A estrutura do SUS visa oferecer um cuidado com resolutividade, humanização e promoção do envelhecimento com qualidade de vida e bem-estar ao paciente idoso.



CONCLUSÃO

Resumindo, a saúde mental da população idosa deve ser tratada como uma prioridade nas ações de saúde pública e no cuidado cotidiano. O envelhecimento é um processo natural, porém pode trazer mudanças que influenciam diretamente o bem-estar e a qualidade de vida.

Nesse contexto, o cuidado integral se torna fundamental. A atuação multiprofissional nas UBS permite um acompanhamento contínuo, com a identificação precoce de alterações tanto na saúde física como na saúde mental, psicológica e emocional. Esse acompanhamento favorece intervenções oportunas, reduzindo complicações.

As estratégias preventivas, como incentivo à convivência social, prática de atividade física, estímulo às funções cognitivas e acompanhamento de saúde, são medidas que contribuem para o envelhecimento ativo e saudável. Além disso, o fortalecimento do vínculo entre família, comunidade e serviços de saúde amplia a rede de apoio e reduz o risco de isolamento social.

Portanto, promover a saúde mental na terceira idade significa garantir dignidade, inclusão e qualidade de vida. O cuidado deve ser contínuo, humanizado e acessível, assegurando que o idoso envelheça com suporte adequado, autonomia e bem-estar.


REFERÊNCIAS


BRASIL. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA (CFF). Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à comunidade. Brasília: Conselho Federal de Farmácia, 2016. Disponível em:< https://www.cff.org.br/userfiles/Profar_Arcabouco_TELA_FINAL.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em:< https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_34_saude_m ental.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2026.

BRASIL. Ministério da Saúde. PORTARIA Nº 2.528 DE 19 DE OUTUBRO DE 2006.

Aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em:< https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2006/prt2528_19_10_2006.html>.

Acesso em: 12 fev. 2026.


BRASIL. SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE. Junho Violeta: Estado destaca a importância de garantir uma velhice digna, com saúde e bem-estar. Disponível em:<https://www.saude.sc.gov.br/index.php/pt/component/content/article/junho-violet -estado-destaca-a-importancia-de-garantir-uma-velhice-digna-com-saude-e-bem-e star-2?catid=84&Itemid=101>. Acesso em: 15 fev. 2026.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Mental health of older adults.

Geneva: World Health Organization, 2017. Disponível

. Acesso em: 12 fev. 2026.


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). World report on ageing and health. Geneva: World Health Organization, 2015. Disponível em:< https://www.who.int/publications/i/item/9789241565042>. Acesso em: 13 fev. 2026.



Autores: Ana Paola Grando, Caroline Delgado, Fernando Davi Cittadella,

Juliana Aparecida Pasetti Eichelt e Vanusa Lima




Comentários


bottom of page