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A saúde mental e o choro na infância

  • Foto do escritor: Marketing
    Marketing
  • 19 de mar.
  • 3 min de leitura
 “Quando o bebê chora, não é fraqueza: é a sua primeira voz no mundo.”
 “Quando o bebê chora, não é fraqueza: é a sua primeira voz no mundo.”

1. INTRODUÇÃO

Desde o momento em que o bebê nasce, sua expressividade nas conexões que fará com o mundo é fundamental para o seu desenvolvimento. É por meio da emoção que o recém-nascido demonstra o que sente e começa a compreender e perceber o que e quem está à sua volta.

O choro é como uma linguagem própria da primeira infância, por meio da qual a criança expressa “seu mundo, seus sentimentos e necessidades e, com isso, também aspectos dos relacionamentos humanos que constituem o próprio mundo social” (DALBOSCO, 2007). O choro é, portanto, o ponto de partida para compreender quem é a criança e como ela se relaciona com o mundo adulto.

Assim, o choro seria “a forma mais natural e específica da primeira socialização da criança”. Repreender ou ignorar essa atitude pode constituir não apenas uma agressão física, mas também moral, pois a maneira como o adulto responde ao choro é decisiva para o desenvolvimento da criança. Respeitá-lo significa, nessa fase, respeitar a integralidade da pessoa humana.

Nesse mesmo sentido, para Henri Wallon, o bebê estabelece gradualmente relações entre seus atos e o meio que o rodeia. Ao chorar e ser atendido, ele começa a compreender que há uma resposta do ambiente às suas necessidades, construindo vínculos e segurança emocional (GALVÃO, 2005).


2. O IMPACTO DO CHORO NA VIDA DOS PAIS 

O choro do bebê não afeta apenas a criança, ele também impacta profundamente a vida dos pais. Especialmente nos primeiros meses, o choro frequente pode gerar:

  • Cansaço físico e privação de sono;

  • Ansiedade e insegurança sobre estar fazendo “o certo”;

  • Sentimento de impotência ao não compreender imediatamente o motivo do choro;

  • Conflitos entre o casal devido ao estresse acumulado.

Muitos pais podem reagir com irritação, impaciência ou até mesmo tentando “silenciar” rapidamente o bebê, sem buscar compreender a causa. Em outros casos, podem ignorar o choro acreditando que estão “evitando mimar”. Contudo, nessa fase, o bebê não manipula ele comunica.



2.1 – Como os pais geralmente agem

As reações dos pais costumam variar conforme suas experiências, cultura e apoio familiar. Alguns procuram atender prontamente, tentando identificar se é fome, sono, dor ou necessidade de contato. Outros podem sentir medo de criar dependência e, por isso, demoram a responder.

É importante compreender que, nos primeiros anos de vida, o acolhimento não gera fragilidade, mas sim segurança. Quando o bebê percebe que seu choro encontra resposta, ele desenvolve confiança no ambiente e nos cuidadores.


2.2 – Como os pais deveriam agir

O ideal não é simplesmente “evitar o choro”, mas aprender a escutá-lo. Algumas atitudes fundamentais incluem:

  •  Manter a calma antes de intervir;

  •  Observar possíveis causas (fome, fralda, desconforto, sono);

  •  Oferecer colo, contato físico e voz suave;

  •   Evitar gritos ou repreensões;

  •   Buscar apoio quando o cansaço estiver excessivo.

Mesmo diante de crises intensas de choro, os pais não devem ceder apenas para interromper a situação ou evitar o desconforto do momento. Validar o sentimento da criança significa reconhecer sua emoção, mas manter limites firmes e coerentes é fundamental para o seu desenvolvimento. Acolher não é o mesmo que permitir tudo; é possível ser sensível e, ao mesmo tempo, sustentar orientações claras e seguras. Quando os pais compreendem que o choro é uma forma legítima de comunicação, deixam de vê-lo como um problema e passam a entendê-lo como um convite à conexão.

 


3. CONCLUSÃO

Dessa forma, compreender o choro do bebê como linguagem e não como desafio é um passo essencial para o desenvolvimento saudável da criança e para o equilíbrio da família. Ao responder com sensibilidade, paciência e acolhimento, os pais não apenas suprem uma necessidade imediata, mas também constroem vínculos de confiança, segurança e amor que servirão de base para toda a vida. O choro, portanto, não é apenas um som que precisa cessar, mas uma ponte que conecta o bebê ao mundo e a forma como essa ponte é atravessada molda profundamente quem essa criança se tornará.


4. REFERÊNCIAS

RODRIGUES, Adriana Nunes De Menezes  et al. Afetividade dentro da Sala de Aula: Considerações sobre o Choro Infantil. Paidé@ revista científica de educação a distância, 2009. 

BOWLBY, John. Uma base segura: aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre: Artmed, 1989.

Assumpção FB Jr. Sinais precoces de sofrimento psíquico. In: Halpern R, editor. Manual de pediatria de desenvolvimento e comportamento. Barueri (SP): Manole; 2015. pág. 363-71.



Autores: Jéssica Borin, Leonora Spiller, Maluarê M. C Henicka, Emanuele Testa e Liliane Menegoto.






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