Impactos da exposição às telas
- Marketing

- 15 de mai.
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INTRODUÇÃO
A tecnologia está se tornando cada vez mais presente e indispensável na vida das pessoas. O acesso aos meios tecnológicos está ocorrendo cada vez mais precocemente, as telas são apresentadas para os bebês como uma forma de distração, posteriormente, vão sendo inseridos os brinquedos robóticos, aparelhos celulares, tablets, entre tantos outros que passam a fazer parte do dia-a-dia das crianças.
A geração Z definida por crianças que nasceram a partir de 1990, foi denominada de “geração da internet”, esse grupo de pessoas utiliza muito a tecnologia e os dispositivos digitais (CHM, 2021 apud Sousa, 2024). A geração Alpha, sucessora da geração Z, composta por pessoas que nasceram a partir de 2010, veio ao mundo já inserida em uma vida totalmente online, especialmente as crianças em desenvolvimento durante a pandemia por COVID-19. Devido ao isolamento e a diminuição da interação social presencial, essas crianças passaram a ser rodeadas de recursos tecnológicos e telas (Oliveira, 2019).
As mídias móveis, como jogos, vídeos e aplicativos educacionais, possibilitam uma participação mais ativa, promovendo diálogo e até interações sociais quando utilizadas com moderação. Em contrapartida, a televisão caracteriza-se como uma mídia mais passiva, oferecendo menor nível de interação. Diante disso, é fundamental considerar esses aspectos para evitar excessos no tempo dedicado a cada um desses meios.
É fundamental que os pais estejam atentos ao modo que as mídias estão sendo utilizadas e que conheçam os efeitos e riscos que a exposição às telas, internet e redes sociais podem causar no desenvolvimento das crianças (Sousa, 2024). De acordo com Nobre JNP et al., (2021) durante a infância diversas mudanças biológicas e psicossociais estão ocorrendo, portanto, o uso abusivo de tecnologias pode acarretar em problemas no desenvolvimento das crianças.
IMPACTOS DA EXPOSIÇÃO A TELAS
Efeitos associado ao uso excessivo de telas
De acordo com Peixoto MJ, et al., (2020) os impactos cognitivos mudarão de acordo com a etapa do desenvolvimento em que as crianças e adolescentes se encontram, o tempo de exposição a telas também vai influenciar. Chong W et al. (2022), realizaram um estudo com 91 crianças, onde mais da metade apresentou atrasos na fala e um pouco menos da metade tinham distúrbios do neurodesenvolvimento. O tempo de tela dos pais corroborou para o maior tempo de tela das crianças.
Peixoto MJR et al., (2020), discutem em seus estudos, que a queda das interações comunicativas influenciada pelo uso excessivo das telas afeta o desenvolvimento da linguagem e a quantidade geral de linguagem a que a criança é exposta. O uso diário de telas está relacionado com um menor desempenho na capacidade social e redução de interação com outras pessoas. Além disso, pode haver atraso na linguagem oral das crianças, excepcionalmente as que usam eletrônicos sem a supervisão de um adulto.
Segundo Hiltunen P et al., (2021) assistir a programas de televisão pode ter uma relação com horário de dormir mais tardio e com o tempo de sono menor. Por sua vez, o uso do celular teria ligação com alterações métricas e consistência fragilizada de sono, enquanto o uso do computador foi associado com horas de dormir mais tardias.
Souza e Neto, et al., (2021), além de relacionar o uso excessivo de telas com uma má qualidade do sono, relacionaram com a inatividade física e a obesidade. O uso abusivo das telas na primeira infância pode estar associado a atraso no desenvolvimento, atrasos sociais, e descontrole emocional, que englobam comportamentos agressivos e ansiosos (Fernandes CM, et al., 2021).
O excesso de utilização de telas possui uma relação negativa com capacidades cognitivas importantes, como a memória de trabalho e a memória fonológica (MCNEIL J,et al.,2021; ZHANG Z,et al., 2021). O tempo de tela possui uma relação estreita com a obesidade, atividade física e desempenho acadêmico, além de olhos secos (MINESHITA Y, et al., 2021).
Sintomas oculares como xeroftalmia, prurido, sensação de corpo estranho, lacrimejamento e visão turva são frequentemente observados em pacientes pediátricos, estando relacionados, principalmente, ao tempo prolongado de exposição a telas de computadores, tablets e celulares. Destaca-se, ainda, que a permanência em ambientes externos está associada à redução da ocorrência de miopia; entretanto, o aumento do tempo diante de telas implica na diminuição da exposição ao ar livre (SCHAMACHE MMP et al., 2021).
CONCLUSÃO
A exposição excessiva a telas está associada a prejuízos significativos no desenvolvimento cognitivo, físico e emocional das crianças. Conforme discutido ao longo deste trabalho, esse uso prolongado relaciona-se a diversos fatores que impactam negativamente a saúde infantil, como alterações no sono, redução da atividade física, dificuldades de aprendizagem, problemas visuais e comprometimento das interações sociais.
Nesse contexto, é de suma importância que os pais e responsáveis tenham conhecimento acerca dos efeitos nocivos que a exposição exacerbada às telas pode ocasionar, assumindo um papel ativo na supervisão e no controle desse tempo. Além disso, é fundamental incentivar a participação das crianças em outras atividades, como a interação com outras crianças, a leitura e as brincadeiras, promovendo, assim, um desenvolvimento mais saudável e equilibrado.
REFERÊNCIAS
CHONG, W. W. et al. Tempo de tela de crianças com atraso na fala: um estudo transversal em um centro terciário em Kuantan, Malásia. Pediatrics International, v. 64, e15105, 2022.
FERNANDES, C. M. et al. A criança de 0 a 3 anos e o mundo digital. Sociedade Brasileira de Pediatria, 2018. 8 p.
HILTUNEN, P. et al. Relação entre tempo de tela e sono em crianças pré-escolares finlandesas: resultados do estudo Dagis. Sleep Medicine, v. 77, p. 75-81, 2021.
MCNEIL, J. et al. Associações transversais do uso de aplicativos e visualização de programas de mídia com o desenvolvimento cognitivo e psicossocial em pré-escolares. Revista Internacional de Pesquisa Ambiental e Saúde Pública, v. 18, n. 4, p. 1608, 2021.
MINESHITA, Y. et al. Duração e horário do tempo de tela: efeitos na obesidade, atividade física, olhos secos e capacidade de aprendizagem em crianças do ensino fundamental. BMC Public Health, v. 21, n. 1, p. 422, 2021.
NOBRE, J. N. P. et al. Fatores determinantes no tempo de tela de crianças na primeira infância. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 3, p. 1127-1136, 2021.
OLIVEIRA, G. S. Geração Alpha entre a realidade e o virtual: o sujeito digital. 2019. 43 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ), Ijuí, 2019.
PEIXOTO, M. J. R. et al. Implicações neuropsicológicas e comportamentais na infância e adolescência a partir do uso de telas. Research, Society and Development, v. 9, n. 9, p. 1-29, 2020.
SCHAMACHE, M. M. P. Problemas oculares relacionados ao uso de telas em pacientes pediátricos. Revista Eletrônica Acervo Saúde (REAS), v. 13, e8864, 2021.
SOUSA, LUCAS LOPES. Uso abusivo de telas na infância e suas consequências. Repositório Institucional do Unifip, [S. l.], v. 7, n. 1, 2024.
SOUZA NETO, J. M. et al. Atividade física, tempo de tela, estado nutricional e sono em adolescentes do Nordeste do Brasil. Revista Paulista de Pediatria, v. 39, e2019138, 2021.
ZHANG, Z. et al. Associações entre tempo de tela e desenvolvimento cognitivo em pré-escolares. Paediatrics & Child Health, v. 26-27, n. 2, p. 105-110, 2021.




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