Efeitos sobre a mulher as demandas contemporâneas
- Marketing

- 20 de fev.
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Resumo
O presente estudo buscou investigar e descrever os efeitos sobre a mulher das demandas contemporâneas relacionadas à conciliação de diferentes papéis, bem como os impactos disso no relacionamento conjugal e na maternidade, tendo em vista a relevância dessa reflexão para a compreensão da subjetividade feminina.
Contexto e Metodologia
Há aproximadamente três décadas, as mulheres se inserem cada vez mais maciçamente no mercado de trabalho. Atualmente, a continuidade do emprego feminino após o casamento e o nascimento dos filhos se impõe como a norma dominante, e o trabalho constrói a identidade social das mulheres de forma mais intensa do que antigamente. Para analisar a dinâmica da multiplicidade de papéis na contemporaneidade, a pesquisa utilizou o método qualitativo, que se concentra na compreensão particular dos fenômenos estudados. O instrumento de coleta de dados foi a entrevista semiestruturada. Participaram do estudo dez mulheres casadas ou em união estável, mães cujos filhos moravam em casa sob seus cuidados e que possuíam trabalho remunerado. A análise de conteúdo gerou quatro categorias de discussão: a mulher e sua relação com o trabalho; impactos sobre o relacionamento conjugal; demandas contemporâneas e maternidade; e vivências subjetivas da mulher na atualidade.

Resultados e Discussão
A inserção no mercado de trabalho é altamente valorizada por proporcionar autonomia e independência econômica às mulheres. A maioria das brasileiras acumula o trabalho remunerado com o trabalho doméstico não pago, suportando a estafante experiência da dupla jornada. A desvalorização das tarefas domésticas e, em contrapartida, a valorização do trabalho fora de casa, são evidenciadas no relato da maioria das entrevistadas. Em alguns casos, o trabalho remunerado chega a ser visto como uma forma de descanso em relação às atividades e à rotina da casa.
No relacionamento conjugal, a crescente participação feminina no trabalho resultou em mudanças na dinâmica familiar e na redistribuição de afazeres domésticos. O homem pode passar a aceitar o desafio da cozinha e se experimentar no cuidado com os filhos, sendo o "companheiro" o tipo de homem que acompanha o movimento da "nova mulher" e se beneficia do processo. Entretanto, o casamento e a família assumem novas formas, com a mulher impondo seus desejos, embora isso possa gerar resistência inicial do marido. Além disso, com a jornada de trabalho e a chegada dos filhos, a intimidade conjugal e a vida amorosa são frequentemente sacrificadas para dedicar mais tempo aos papéis familiares e ao acompanhamento dos filhos.
Em relação à maternidade, a pesquisa aponta que o vínculo mãe-bebê é construído socialmente e que o instinto materno é um mito. O nascimento de um filho sempre provoca modificações na estrutura e no equilíbrio familiar, impondo novos horários e compromissos. A divisão da mulher entre o mundo do trabalho e o da família vem acompanhada de conflitos, interrogações e uma busca por conciliação que é frequentemente fonte de culpa e insatisfação.
As vivências subjetivas demonstram que a mulher busca a valorização de sua dupla jornada (trabalho fora, mãe, esposa e dona de casa), mas não sente o reconhecimento esperado por esse esforço. Em meio a tantas exigências, ela se sente cansada e necessita de tempo para se refazer, embora muitas vezes, esqueça de si, em virtude das responsabilidades. A existência feminina pós-moderna tornou-se inteiramente objeto de escolha, interrogação e arbitragem. A mulher vivencia uma ambivalência constante de sentimentos em relação à conciliação, sentindo-se ora valorizada e forte, ora desvalorizada, impotente e cansada.

Conclusão
Constatou-se que papéis modernos e "antigos" coabitam. Apesar das mudanças, o lugar da mulher na esfera privada ainda é predominante. A dinâmica da emancipação feminina é uma difícil combinação entre a necessidade de consolidar a competitividade no mundo do trabalho e o desejo de manter um papel de destaque na esfera familiar. A busca incessante pela superação e perfeição, na tentativa de atender à demanda cultural de "dar conta de tudo", pode gerar sofrimento, esgotamento e danos à saúde mental da mulher contemporânea.
Autor: Grasiella Rubia Rosin




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