Uso irracional de medicamentos: Como acontece e como me afeta?
- Marketing

- 20 de mai.
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Em 05 de maio, comemora-se o dia nacional do uso racional de medicamentos. Data criada para alertar a população quanto aos riscos à saúde causados pela automedicação. O medicamento é essencial quando utilizado adequadamente para o tratamento de doenças. No entanto, a aplicação de maneira incorreta ou consumo sem critério podem prejudicar a saúde, causando desde intoxicação a problemas mais graves que podem, inclusive, levar à morte.
A Organização Mundial da Saúde estima que mundialmente, mais da metade de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos inapropriadamente, e que cinquenta por cento dos indivíduos não os usa corretamente. Pensando também nesta necessidade, no Brasil, ocorreu a criação da Política Nacional de Medicamentos, que definiu como prioridade o desenvolvimento de campanhas educativas, com vistas a estimular o uso racional destas tecnologias. Dentre as medidas combatidas e destacadas pelas campanhas, verifica-se o uso excessivo, insuficiente ou inadequado do medicamento, que promove desperdício de recursos escassos e gera riscos generalizados à saúde. Dentre as condições que fomentam o uso irracional, destacam-se a prática da “polifarmácia”, quando utilizados vários medicamentos ao mesmo tempo, principalmente em idosos, o uso inadequado de antimicrobianos (como antibióticos e antifúngicos), a aplicação excessiva de injetáveis quando formulações orais seriam mais apropriadas, a falha na prescrição de acordo com as diretrizes clínicas, a não adesão aos regimes de dosagem, bem como, o descarte incorreto.
No âmbito domiciliar, o uso irracional dos medicamentos toma força por meio da manutenção de quantidade desnecessária de medicamento, favorecendo o uso indevido; a permanência de medicamentos válidos, mas já utilizados, para reutilização posterior, favorecendo o uso de produtos impróprios para o consumo; o armazenamento de medicamentos de maneira inadequada, possibilitando acesso por pessoas com dificuldades cognitivas de compreensão e/ou com dificuldades de manuseio das embalagens/doses, como idosos e crianças, bem como, a conservação inadequada, em local úmido, não ventilado, fora da faixa de temperatura preconizada para o produto e sob incidência de luz solar direta.
De forma prática, é essencial apontar algumas medidas que podem promover o uso racional dos medicamentos: Durante as consultas, sejam médicas ou não, informar sobre os medicamentos (incluindo fitoterápicos e homeopáticos) em uso, tendo eles sido receitados ou não; comunicar os problemas relacionados ao medicamento, como dor de cabeça, enjôo, tontura, manchas na pele, tosse, etc.; citar doenças que atingem membros da família (como diabetes e hipertensão) e a intencionalidade de gestar; informar hábitos como o tabagismo e o alcoolismo; sanar dúvidas sobre dosagem, tempo, horários e a interação com alimentos; manter as embalagens originais, evitando a troca de bulas, exposição ao calor, umidade e a luz; verificar a necessidade de manutenção em geladeira (como nos casos das insulinas); preservar as cartelas dos medicamentos para não perder suas informações ou mesmo dificultar sua identificação; manter sempre os medicamentos fora do alcance de crianças e de animais, além de não utilizar medicamentos indicados por outras pessoas, como amigos, vizinhos e parentes; considera-se ainda descartar os medicamentos de forma correta, em pontos de coleta como farmácias e unidades básicas de saúde.
Considerando o exposto, torna-se imprescindível a adoção de medidas efetivas na conscientização coletiva das boas práticas. As soluções propostas para reverter ou minimizar este quadro devem passar pela educação e informação da população, maior controle na venda com e sem prescrição médica, melhor acesso aos serviços de saúde, adoção de critérios éticos para a promoção de medicamentos e retirada do mercado de numerosas especialidades farmacêuticas carentes de eficácia ou segurança.
Referências:
AQUINO, D. S. DE. Por que o uso racional de medicamentos deve ser uma prioridade?. Ciência & Saúde Coletiva, v. 13, p. 733–736, abr. 2008.
ANVISA. Uso racional de medicamentos: um alerta à população. Disponível em: <https://www.who.int/activities/promoting-rational-use-of-medicines>. Acesso em: 14 de maio de 2026. 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Cartilha para a promoção do uso racional de medicamentos. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Medicamentos. Brasília: Ministério da Saúde, Secretaria de Política de Saúde, Departamento de Atenção Básica; 2001.
CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO RIO GRANDE DO SUL. Uso Racional de Medicamentos e seus aspectos de relevância. Disponível em: <https://crfrs.org.br/noticias/urm-uso-racional-de-medicamentos-e-seus-aspectos-de-relevancia>. Acesso em: 14 de maio de 2026. 2022.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Promoting rational use of medicines. Disponível em: <https://www.who.int/activities/promoting-rational-use-of-medicines>. Acesso em: 14 de maio de 2026. 2026.




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