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Saúde mental masculina: depressão, ansiedade, suicídio, barreiras culturais e sinais de alerta

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    Marketing
  • 19 de mar.
  • 4 min de leitura

A saúde mental masculina ainda é um tema pouco discutido, apesar de sua grande relevância social e dos dados alarmantes relacionados ao sofrimento psíquico entre homens. Questões como depressão, ansiedade e suicídio afetam milhões de homens em todo o mundo, porém muitas vezes passam despercebidas ou não recebem a devida atenção. Isso ocorre, em grande parte, devido a barreiras culturais que dificultam a expressão emocional e a busca por ajuda profissional.

A depressão no gênero masculino é um tema ainda pouco abordado na literatura científica, o que contribui para dificuldades em sua identificação e compreensão. Segundo Pickler (2019), muitos homens apresentam resistência em reconhecer e expressar o próprio sofrimento psíquico, em razão de aspectos culturais e sociais associados às construções de masculinidade, que valorizam a força, a autonomia e o controle emocional. Dessa forma, o adoecimento psíquico pode ser vivenciado de maneira silenciosa, sendo frequentemente negado ou minimizado pelo próprio indivíduo. Essa dificuldade de verbalização das emoções e de busca por ajuda profissional pode contribuir para o mascaramento do quadro depressivo e para o atraso no diagnóstico e no tratamento.

A depressão em homens é frequentemente silenciosa e difícil de identificar. Muitos apresentam resistência em reconhecer e expressar sofrimento emocional, o que pode se manifestar de forma indireta, como isolamento social, desinteresse por atividades antes prazerosas, cansaço extremo, abuso de álcool ou drogas e comportamentos de risco.

Fatores culturais e sociais ligados à masculinidade tradicional, que valorizam força, autonomia e controle emocional, contribuem para a invisibilidade do adoecimento e dificultam a busca por ajuda profissional, atrasando o diagnóstico e o tratamento (Morais, 2024).



A ansiedade também é muito frequente entre homens, embora muitas vezes seja confundida com estresse cotidiano. A pressão social para ser produtivo, bem-sucedido e financeiramente estável contribui para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade, que se manifestam por sintomas como insônia, tensão muscular, dificuldade de concentração, preocupação excessiva e sensação constante de alerta.

No entanto, muitos homens não reconhecem esses sinais como um problema de saúde mental, acreditando que fazem parte da rotina ou que demonstrar fraqueza ao verbalizá-los seria inadequado (Costa, 2019).

Um dos aspectos mais preocupantes da saúde mental masculina é o suicídio. Dados oficiais mostram que os homens apresentam taxas de óbito por suicídio significativamente maiores que as mulheres, chegando a cerca de 3,8 vezes mais risco, segundo registros de saúde pública no Brasil.

Essa maior vulnerabilidade está relacionada a fatores como resistência em buscar ajuda, isolamento emocional e uso de métodos mais letais. Comentários sobre inutilidade, sensação de ser um peso para os outros ou afirmações de que “nada vai melhorar” devem ser levados a sério, mesmo quando expressos de forma indireta ou em tom de brincadeira, pois podem indicar risco iminente e exigem atenção e apoio imediato (Brasil, 2021).

Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2026), mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, descuido com a própria saúde, alterações no sono e no apetite, aumento no uso de álcool ou outras substâncias e ações como despedidas ou distribuição de pertences pessoais podem ser sinais de alerta importantes no contexto de risco suicida, exigindo atenção imediata e busca por ajuda profissional.

As barreiras culturais desempenham um papel central nesse cenário. Desde a infância, muitos homens são ensinados a reprimir emoções, a não chorar e a resolver problemas sozinhos. A masculinidade tradicional associa força à ausência de vulnerabilidade, criando um ambiente em que o sofrimento emocional é visto como sinal de fraqueza.

Como consequência, muitos homens sentem vergonha ou medo de julgamento ao buscar ajuda psicológica ou psiquiátrica. Esse condicionamento cultural contribui para que o tratamento seja procurado apenas em estágios avançados do sofrimento mental (Silva, 2020).

Promover a saúde mental masculina exige ações individuais e coletivas, como incentivar o diálogo sobre emoções, desconstruir estigmas relacionados à masculinidade e normalizar a busca por ajuda profissional.

De acordo com Menezes (2025), muitos homens apresentam resistência em procurar tratamento psicológico devido a fatores socioculturais e normas de gênero que valorizam a força e a autossuficiência. Assim, escutar sem julgamentos, demonstrar apoio e oferecer presença são atitudes essenciais, e recorrer a psicólogos e psiquiatras deve ser compreendido como um ato de cuidado e responsabilidade consigo mesmo.


REFERÊNCIAS 


BRASIL. Ministério da Saúde. Brasil registra aumento de suicídios entre 2010 e 2019. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2021/setembro/brasil-registra-aumento-de-suicidios-entre-2010-e-2019. Acesso em: 22 fev. 2026.


COSTA, Camilla Oleiro da et al. Prevalência de ansiedade e fatores associados em adultos. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 68, p. 92-100, 2019.


MENEZES, Luane Costa; DA COSTA BARBOSA, Débora Pirovani; DOS SANTOS, Mariana Fernandes Ramos. A resistência dos homens em buscar melhorias na saúde mental: fatores e desafios que influenciam essa relutância. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, n. 10, p. 1542-1552, 2025.


MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ministério da Saúde. Suicídio (Prevenção). Ministério da Saúde, Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/suicidio- prevencao. Acesso em: 09 fev. 2026.


MORAIS, P.; SILVA, M. L.; QUENTAL, O. B.; OLIVEIRA, G. S. Adoecimento mental na população masculina: prevalência e fatores associados: revisão integrativa da literatura. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 09, p. 1633–1641, 2024.


PICKLER, Cristiane Dandolini. Depressão no gênero masculino. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, v. 4, n. 4, p. 86-97, 2019.


SILVA, A. G.; LIMA, M. C. P. Saúde mental do homem: desafios para a atenção primária. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 54, 2020.



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